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Sobre Nós

O Orla Sem Lixo Transforma é um projeto da UFRJ em parceria com a Petrobras que atua no enfrentamento do lixo flutuante na Baía de Guanabara, especialmente na região da Ilha do Fundão. Combinando ciência, tecnologia social e participação comunitária, o projeto desenvolve soluções para interceptação, coleta, triagem e destinação dos resíduos sólidos que chegam às enseadas da UFRJ. Este site é um espaço de documentação pública, onde são reunidos conteúdos sobre as ações do projeto, seus dados e resultados, oficinas, eventos, publicações, além de registros audiovisuais e informações da equipe envolvida. O objetivo é tornar acessível todo o conhecimento produzido, contribuindo para o cuidado com o mar e com o território.

Orla Sem lixo Transforma, projeto parceiro da Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental

O lixo flutuante nos oceanos e nas águas costeiras é um problema ambiental de escala global, presente na agenda internacional e alvo de diversas iniciativas ao redor do mundo. Na Baía de Guanabara, a origem desse problema está relacionada à ausência ou à deficiência de políticas eficazes de gerenciamento de resíduos sólidos em terra. Trata-se de uma questão cuja solução exige uma estruturação complexa, por depender de políticas públicas e envolver dimensões econômicas, sociais e culturais. Diante disso, torna-se urgente o desenvolvimento de medidas de curto prazo que possam minimizar os impactos do aporte de resíduos sólidos sobre os ecossistemas aquáticos, costeiros e oceânicos.

 

Surge, assim, o projeto Orla Sem Lixo Transforma, que tem como objetivo reduzir a poluição por lixo flutuante nas Enseadas do Fundão e no manguezal da Enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, por meio da implementação de um projeto-piloto para interceptação, coleta, transporte e destinação dos resíduos, com a participação ativa de comunidades de pesca artesanal. O projeto é desenvolvido em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, com duração prevista de quatro anos.

 

Sua realização está a cargo de uma equipe composta por estudantes, professores e pescadores da comunidade de pesca artesanal da Ilha do Fundão, onde o piloto vem sendo implementado. As atividades estão organizadas em oficinas — nas quais são construídas as barreiras e demais elementos da solução —, reuniões para discussão dos diversos aspectos do projeto, mutirões de limpeza com a possibilidade de participação de voluntários externos e eventos voltados à divulgação de resultados.

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A avaliação do projeto é realizada com base em Relatórios Técnicos, que incluem diversos elementos de comprovação, como registros de presença, registros fotográficos e outros documentos que atestam as ações desenvolvidas.

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Além disso, a solução desenvolvida pelo projeto está estruturada em sete frentes principais de ação, que integram esforços técnicos, científicos e comunitários: (1) prevenção da chegada de lixo em trechos da orla da Praia do Fundão; (2) proteção de parcelas do manguezal da Enseada de Bom Jesus contra o acúmulo de resíduos; (3) coleta experimental do lixo flutuante; (4) implantação da Base de Apoio de Pescadores da Prainha (BAP-Prainha); (5) desenvolvimento do Centro de Triagem e Orientação do Lixo Flutuante (CERTO); (6) implantação e operação de barreiras nas Enseadas do Fundão e de Bom Jesus; e (7) divulgação do projeto e integração com a comunidade.

 

A primeira ação do projeto refere-se à construção, instalação e manutenção de barreiras experimentais nas praias da Ilha do Fundão — especificamente na Prainha e na área próxima à Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) — com participação ativa dos pescadores artesanais da região. Para isso, são utilizadas técnicas e metodologias de Tecnologia Social aplicadas à interação com a população tradicional de pescadores caiçaras das Enseadas do Fundão e de Bom Jesus. As atividades envolvem a realização de oficinas técnicas, mutirões de limpeza e encontros de troca de conhecimentos entre pesquisadores e pescadores, como os realizados no Café com Orla.

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A instalação das barreiras é feita com embarcações dos próprios pescadores envolvidos na construção, sendo esses serviços remunerados pontualmente pelo projeto. Todas as jornadas de trabalho contam com alimentação coletiva oferecida a pesquisadores e pescadores.

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Ainda no âmbito dessa frente de ação, são conduzidos diagnósticos de balneabilidade — por meio da coleta de água e análises bacteriológicas — e pesquisas de percepção com frequentadores das praias e do manguezal, aplicadas por meio de questionários. Também são promovidas ações de educação ambiental, que incluem a participação das equipes de pesquisa e da comunidade pesqueira em reuniões coletivas, oficinas de empreendedorismo e eventos de divulgação científica. Nesses momentos, temas relacionados à qualidade da água e aos ecossistemas costeiros são abordados em linguagem acessível ao público visitante.

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A segunda ação do projeto envolve a construção, instalação e manutenção de barreiras experimentais em parcelas do manguezal da Enseada de Bom Jesus, também com a participação direta da comunidade de pesca artesanal da Ilha do Fundão. Este processo segue a mesma lógica adotada na instalação das barreiras nas praias, fundamentado em práticas de Tecnologia Social, com uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI) e organização coletiva do trabalho.

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Além disso, é realizado o monitoramento da dinâmica do lixo nas áreas protegidas, por meio de triagem e pesagem dos resíduos coletados durante os mutirões de limpeza, bem como da instalação de câmeras para videomonitoramento, que permitem a análise de imagens ao longo do tempo — especialmente para acompanhar alterações na vegetação e os efeitos da redução do lixo nos processos de reflorestamento natural do mangue. Esta ação conta, ainda, com a parceria do Laboratório de Carcinologia da UFRJ, responsável por analisar os impactos das barreiras de retenção sobre as populações de crustáceos, com ênfase nos caranguejos.

A terceira ação do projeto está voltada para o desenvolvimento de protótipos de unidades de coleta de lixo flutuante, elaborados a partir de oficinas experimentais que utilizam técnicas e metodologias de Tecnologia Social em interação com a comunidade tradicional de pescadores. Esses protótipos vêm sendo desenvolvidos desde 2023 e, nesta etapa, passam a ser testados e aplicados em operação real.

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Paralelamente, é realizado o planejamento da cadeia logística de transporte e desembarque do lixo flutuante, construído a partir do mapeamento dos processos e das tarefas identificadas durante as etapas de construção e instalação das barreiras. Esse planejamento é conduzido de forma colaborativa entre a equipe técnica do projeto e os pescadores participantes das oficinas.

O conceito adotado prevê que o lixo recolhido nas barreiras seja armazenado temporariamente em unidades de coleta flutuantes, para então ser transportado pela água até o ponto de desembarque, já definido na planta arquitetônica do espaço onde também será instalada a planta de pirólise — projeto em desenvolvimento com apoio do EcoCenpes. A lógica é semelhante à da coleta urbana, baseada na conteinerização dos resíduos, com mínimo manuseio por parte dos trabalhadores. Do mar para a “lixeira” flutuante e, de lá, diretamente para o local de desembarque.

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Inicialmente, essa operação será acompanhada de desembarque e destinação tradicional — com uso de caçambas, que poderão encaminhar o material tanto para cooperativas de reciclagem quanto para disposição como resíduo. Além disso, está sendo desenvolvido, em conjunto com os pescadores e a equipe técnica, um protocolo de rotina para a coleta, a manutenção das barreiras e a gestão desse fluxo de resíduos.

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A quarta ação é conduzida pela frente de Arquitetura e Paisagismo do projeto, responsável pela delimitação do espaço destinado à construção da Base de Apoio de Pescadores da Prainha (BAP-Prainha). Esse processo ocorre a partir da compatibilização das necessidades da BAP com as diretrizes do Plano Diretor 2030 para o Parque da Orla, em um trabalho participativo que envolve a equipe técnica do projeto, a comunidade de pesca e as instâncias de gestão da UFRJ.

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Com base no projeto básico, será contratada a elaboração do projeto executivo, que será acompanhado pela equipe técnica. Paralelamente, em articulação com a Prefeitura Universitária, serão viabilizadas as licenças construtivas e definidas soluções sustentáveis para a implantação da infraestrutura necessária — incluindo sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, eletricidade, preparação do terreno e rua de acesso ao local.

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A BAP tem como objetivo formalizar a permanência da comunidade pesqueira no território da UFRJ, garantindo segurança jurídica para ambas as partes. O projeto arquitetônico prevê uma área construída de aproximadamente 126 m², composta por banheiros, cozinha, área aberta de trabalho e dois cômodos — um destinado ao pernoite e outro para armazenamento. O Orla Sem Lixo Transforma prevê, ainda durante o período da parceria com a Petrobras, não apenas a construção da BAP — por meio da contratação de empresa especializada —, mas também a gestão desse espaço na Prainha, em articulação com os pescadores e a Universidade.

 

A quinta ação também está sob responsabilidade da frente de Arquitetura e Paisagismo do projeto. Essa equipe é encarregada de delimitar a área destinada à instalação do Polo de Meio Ambiente e Gestão Integrada de Resíduos Sólidos — PoMARS —, a partir da análise de compatibilidade entre as necessidades do Centro de Triagem e Orientação do Lixo Flutuante (CERTO) e as diretrizes do Plano Diretor 2030 da UFRJ para esse espaço, assegurando a viabilidade de desenvolvimento da sua infraestrutura. Essa etapa é conduzida pela equipe técnica do Orla Sem Lixo Transforma, em articulação direta com a Prefeitura Universitária.

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Com base no projeto básico, será realizada a contratação do serviço de elaboração do projeto executivo do CERTO, que prevê, além do detalhamento da edificação, a obtenção das licenças construtivas e a implantação da infraestrutura necessária — como sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, eletricidade, preparação do terreno e plantios. Essa frente contempla, ainda, a construção do CERTO, mediante contratação de empresa de construção civil, e sua posterior operação.

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As atividades desenvolvidas no CERTO serão voltadas à triagem e orientação do lixo flutuante, utilizando técnicas de gestão de resíduos e modelagem de negócios baseados na economia circular, em um processo participativo entre a equipe do projeto e a Prefeitura Universitária. Participam dessa frente de trabalho os laboratórios EngePol (COPPE/UFRJ), Instituto de Macromoléculas (IMA/UFRJ) e Engenharia Química da UFF, responsáveis pela caracterização química do lixo flutuante e pelos estudos de viabilidade da reciclagem por pirólise. Trata-se de um resíduo altamente degradado e contaminado, que não pode ser tratado de forma eficiente pelos processos tradicionais de reciclagem mecânica. Por esse motivo, o conceito adotado pelo projeto prioriza o mínimo manuseio e separação dos resíduos, tornando a reciclagem por pirólise uma alternativa promissora e adequada à realidade desse material.

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A sexta ação diz respeito diretamente à participação dos pescadores no Orla Sem Lixo Transforma, com foco na construção de estratégias que garantam seu engajamento e protagonismo no desenvolvimento e na operação das soluções propostas. Para isso, são realizadas atividades de educação ambiental, promovendo a troca de saberes e fortalecendo o envolvimento da comunidade tradicional nas ações do projeto.

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Essa frente também inclui a realização de uma avaliação econômica da tecnologia de pirólise, fundamental para definir o valor do lixo na porta da planta e, consequentemente, estabelecer os parâmetros para a remuneração dos pescadores que atuam na coleta dos resíduos. Paralelamente, são discutidos os modelos de remuneração pelos serviços prestados nas barreiras — tanto nas praias quanto no manguezal — por meio da formalização de prestação de serviços.

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Além disso, são desenvolvidas oficinas de capacitação empreendedora e construção de um Plano de Negócios, conduzidas pela equipe de Tecnologia Social. Essas oficinas trabalham a identificação de oportunidades para a melhoria da atividade de pesca artesanal, bem como o desenvolvimento de um arranjo organizacional específico para as atividades de coleta, transporte e gestão do lixo flutuante, estruturando um modelo sustentável de trabalho e renda para a comunidade.

 

Por fim, a sétima ação é dedicada à comunicação e divulgação do projeto, por meio da realização de eventos, ações de voluntariado e produção de conteúdos para redes sociais. Essa frente é conduzida pela equipe técnica de comunicação, com apoio das demais equipes do projeto. Seu objetivo é fortalecer a visibilidade do Orla Sem Lixo Transforma, promovendo a disseminação de seus resultados e ampliando o alcance da marca, tanto para o público interno quanto externo.

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Os eventos realizados em auditórios, como na Inovateca — espaço localizado no Parque Tecnológico da UFRJ —, contarão também com transmissão online, buscando expandir a participação para além dos limites físicos. Além disso, são identificados e ocupados espaços abertos, como áreas de grande circulação na Ilha do Fundão, para ações como mutirões de limpeza e atividades de mobilização.

Os produtos desenvolvidos por essa frente incluem: peças de vestuário; artefatos visuais; postagens em redes sociais; vídeos institucionais; documentação textual de ações e encontros; um curta-metragem sobre o projeto; postagens no website; newsletters; registros dos encontros Café com Orla; registros de reuniões coletivas e oficinas técnicas; registros de mutirões de coleta; eventos de instalação de placas de sinalização; mini-feiras de ciência em espaços abertos; eventos em auditórios e online; além de ações de comunicação em escolas da região.

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