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Trote do bem

Sep 15
7 min read

No dia 20 de agosto de 2026, o Orla Sem Lixo Transforma realizou, na Prainha, na Ilha do Fundão, uma ação de integração com os calouros de Engenharia de Produção da UFRJ, ingressantes no período 2026.2. Articulada a partir da iniciativa Trote do Bem, a atividade reuniu estudantes, pesquisadores e pescadores artesanais em uma manhã de ações voltadas ao cuidado com o território e à aproximação dos novos universitários com as questões socioambientais presentes na Baía de Guanabara.


A articulação com a turma foi realizada por Dayane (esperando retorno de Gustavo com o sobrenome), veterana do curso, que já conhecia iniciativas de trotes com caráter socioambiental e fez a ponte entre os estudantes e o OSLT. A proposta foi associar o momento de ingresso na universidade a uma experiência prática fora da sala de aula, permitindo que os calouros conhecessem a Prainha, as atividades desenvolvidas pelo projeto e a atuação dos pescadores artesanais que colaboram com suas diferentes frentes. A aproximação entre universidade, comunidade e território é um dos elementos que orientam a atuação do OSLT, permitindo que a participação social esteja integrada às atividades de pesquisa e às ações desenvolvidas em campo.


Antes de iniciar as atividades, foi preparado um estande para a equipe de comunicação oferecer encartes, mostrar banners banners e entregar brindes aos calouros. O objetivo dessa ação foi apresentar o projeto inicialmente e demonstrar suas formas de atuação. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
Antes de iniciar as atividades, foi preparado um estande para a equipe de comunicação oferecer encartes, mostrar banners banners e entregar brindes aos calouros. O objetivo dessa ação foi apresentar o projeto inicialmente e demonstrar suas formas de atuação. Fotografia: Rebeca Hertzriken.

A veterana Dayane (sobrenome a confirmar) foi responsável por intermediar o trabalho do OSLT com o Trote do bem, coligando as ações socioambientalistas. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
A veterana Dayane (sobrenome a confirmar) foi responsável por intermediar o trabalho do OSLT com o Trote do bem, coligando as ações socioambientalistas. Fotografia: Rebeca Hertzriken.

As atividades começaram por volta das 8h na Manutenção de barreira, antes da chegada dos estudantes, com a presença dos pescadores que participariam da programação. Nesse primeiro momento, também foi oferecido o café aos participantes, dando um momento de alinhamento das atividades, e teve início a organização das ações previstas para a manhã. A partir das 9h, os calouros começaram a chegar à Prainha e, após um período de recepção e integração, receberam as orientações para a atividade de coleta. A preparação também foi marcada pelo próprio ritual de entrada na universidade, com os estudantes utilizando pinturas e inscrições relacionadas ao curso e à UFRJ.


Antes do início do mutirão, Susana Vinzon, coordenadora do OSLT, conduziu as orientações gerais sobre os procedimentos de segurança e coleta, chamando a atenção para os cuidados necessários durante o manuseio dos resíduos, especialmente em relação a materiais perfurocortantes. Diego Luiz Fonseca, coordenador da frente de Lixo e Reciclagem, também participou das explicações relacionadas à identificação e separação de determinados resíduos. Em seguida, foram distribuídas luvas e sacos para que os participantes pudessem iniciar a coleta com os equipamentos necessários. Esse momento de orientação também evidencia uma dimensão da Pesquisa-Ação presente nas atividades do projeto: o conhecimento produzido e acumulado pela equipe é compartilhado e mobilizado diretamente durante a intervenção no território.


Em um primeiro momento, Diego foi responsável por explicar os métodos de separação e identificação do lixo. Este processor representa a principal forma de trabalho da frente de Lixo e Reciclagem. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
Em um primeiro momento, Diego foi responsável por explicar os métodos de separação e identificação do lixo. Este processor representa a principal forma de trabalho da frente de Lixo e Reciclagem. Fotografia: Rebeca Hertzriken.

A coleta não contou com uma divisão formal dos estudantes em equipes. A orientação foi para que os participantes se distribuíssem pela área da Prainha, evitando a concentração em um único ponto e permitindo ampliar a região atendida pelo mutirão. O percurso começou na região da primeira rampa, localizada fora da área delimitada pela barreira, e posteriormente avançou para a segunda rampa, já inserida na área de atuação da estrutura. Ao longo desse processo, os pescadores também atuaram nas proximidades da barreira, contribuindo para a retirada de resíduos acumulados na área.


A forma como a atividade foi organizada também se relaciona à perspectiva de Gestão Costeira Integrada e Participativa, na medida em que diferentes atores compartilham o mesmo espaço de atuação e participam de uma ação voltada à compreensão e ao enfrentamento de uma questão ambiental concreta. Nesse processo, a Prainha deixa de ser apenas o local onde a atividade acontece e passa a ser compreendida como parte do território que orienta as práticas de pesquisa e intervenção do projeto.


A coleta durou aproximadamente uma hora, entre 10h15 e 11h15, evitando prolongar a atividade durante o período de maior intensidade do sol. Ao final, os resíduos foram reunidos na área-base próxima à rampa para a etapa de pesagem. Os sacos foram pesados individualmente em uma balança suspensa, com os valores registrados pela equipe responsável pela frente de resíduos e posteriormente organizados em planilha. Ao todo, foram coletados 215 quilos de resíduos, sendo 172 quilos classificados como resíduos em geral e 43 quilos como filmes poliolefínicos não laminados.



As coletas foram realizadas sem uma definição rígida nos grupos, visando ampliar o trabalho a área de limpeza, cobrindo, assim, maior espaço no território. Fotografia Rebeca Hertzriken.
As coletas foram realizadas sem uma definição rígida nos grupos, visando ampliar o trabalho a área de limpeza, cobrindo, assim, maior espaço no território. Fotografia Rebeca Hertzriken.

O Trote do bem corresponde a uma ação de aproximação do ambiente acadêmico à comunidade e território de atuação do OSLT, isso reforça o caráter socioambientalista do projeto. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
O Trote do bem corresponde a uma ação de aproximação do ambiente acadêmico à comunidade e território de atuação do OSLT, isso reforça o caráter socioambientalista do projeto. Fotografia: Rebeca Hertzriken.

A pesagem e o registro dos materiais coletados fazem com que a ação ultrapasse o caráter exclusivamente voluntário de uma limpeza. A coleta também produz informações que podem ser incorporadas aos processos de pesquisa do projeto, aproximando a intervenção prática da produção de conhecimento sobre os resíduos presentes no território. Essa articulação entre ação e produção de dados é uma característica importante da abordagem de Pesquisa-Ação adotada pelo OSLT.


Além da coleta, a manhã possibilitou que os estudantes conhecessem outras iniciativas desenvolvidas pelo projeto. Durante a atividade, o pescador Foca apresentou uma unidade coletora desenvolvida por ele no contexto das iniciativas do OSLT voltadas à criação de protótipos para o enfrentamento dos resíduos encontrados no território. A apresentação permitiu aos participantes conhecer uma solução concebida a partir da experiência direta de um pescador com os problemas observados na região.


A apresentação do protótipo também materializa a perspectiva de Tecnologia Social adotada pelo projeto, na qual o desenvolvimento de soluções está relacionado à participação dos sujeitos diretamente envolvidos com o problema e ao diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Nesse caso, a experiência dos pescadores não aparece apenas como fonte de informação sobre o território, mas também como parte do processo de desenvolvimento de alternativas para lidar com os resíduos.


Na foto, Foca demonstra como funciona seu protótipo de coletor. A Tecnologia social, como frente metodológica do projeto, é exemplificada porque é um resultado do conhecimento acadêmico em conjunto aos saberes práticos. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
Na foto, Foca demonstra como funciona seu protótipo de coletor. A Tecnologia social, como frente metodológica do projeto, é exemplificada porque é um resultado do conhecimento acadêmico em conjunto aos saberes práticos. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
A pesquisadora de mestrado em química da UFF, Nicolly Monteiro, realizou a coletas das amostras de isopor e deu continuidade a um trabalho de cooperação interinstitucional, expandindo o conhecimento entre diferentes universidades. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
A pesquisadora de mestrado em química da UFF, Nicolly Monteiro, realizou a coletas das amostras de isopor e deu continuidade a um trabalho de cooperação interinstitucional, expandindo o conhecimento entre diferentes universidades. Fotografia: Rebeca Hertzriken.

Outra frente acompanhada durante a manhã esteve relacionada à pesquisa sobre o aproveitamento do isopor utilizado nos flutuadores das barreiras. A pesquisadora de mestrado em química da UFF, Nicolly Monteiro, realizou a coleta de amostras de isopor já utilizado e exposto às condições ambientais, que serão utilizadas em uma investigação sobre a possibilidade de aproveitamento desse material por meio da pirólise. A atividade também contou com a coleta de uma amostra de isopor novo na Base Industrial do Orla Sem Lixo, na DIPRO, permitindo estabelecer diferentes condições para a pesquisa.


A presença simultânea dessas diferentes atividades demonstra como as ações do OSLT podem articular intervenção, participação e investigação científica em um mesmo território. A limpeza realizada pelos estudantes, a manutenção acompanhada pelos pescadores, a apresentação de uma solução desenvolvida por um deles e a coleta de amostras para pesquisa fazem parte de um mesmo esforço de compreensão e enfrentamento da problemática dos resíduos sólidos flutuantes.


Ao final da atividade, os participantes retornaram com as coletas à área-base, onde foram concluídas as pesagens e realizados os registros da ação. Os estudantes receberam materiais de comunicação do OSLT, como encartes, marca-páginas e cartelas de adesivos, além da realização de um sorteio de brindes. A manhã foi encerrada com uma fotografia coletiva dos participantes junto aos resíduos recolhidos.



Os alunos receberam o projeto com retorno positivo em suas experiências, garantindo a integração como um sucesso por parte do OSLT. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
Os alunos receberam o projeto com retorno positivo em suas experiências, garantindo a integração como um sucesso por parte do OSLT. Fotografia: Rebeca Hertzriken.
“ [O OSLT] é uma ação muito bonita! Porque, além da ideia em si, ajuda a conscientizar as pessoas sobre a poluição na praia e o quanto precisamos mudar essa realidade”, em resposta anônima.

O efeito da ação pode ser evidenciado pela avaliação dos calouros à cerca das atividades do Trote do Bem. Em uma avaliação realizada de forma anônima os alunos responderam sobre o papel da Engenharia de Produção nas questões socioambientais, suas impressões sobre o OSLT e escolheram palavras que melhor destacavam a experiência do dia. Destacando algumas respostas, para os alunos “Ver na prática o encontro da academia, da tecnologia de processos e do saber comunitário mostra que a solução para a crise dos plásticos não é utópica: depende de metodologia, logística eficiente e vontade coletiva. “ e “A importância da necessidade de existência de gestores que tenham como valor e parte do centro da organização ações voltadas ao Meio Ambiente e a consciência, medição e mitigação dos impactos gerados por sua atividade produtiva. “


Ao aproximar novos estudantes da universidade do território onde desenvolvem sua formação, o Trote do Bem amplia a dimensão educativa das ações do OSLT e cria uma oportunidade de diálogo entre universidade, pesquisadores e comunidade pesqueira. A atividade reforça, assim, uma perspectiva socioambiental na qual o cuidado com a Ilha do Fundão é construído por meio da participação, da pesquisa e do desenvolvimento coletivo de soluções.


O Orla Sem Lixo Transforma é desenvolvido em parceria com a Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental.

Quando: 20/08/2026

Onde: Prainha

Envolvidos: Susana Vinzon, Rodrigo Hoerner, Cristine Carvalho, Rebeca Hertzriken, Raphaela Bertolotti, Jairton Alves da Silva, Diego Luiz Fonseca, Anna Beatriz Meirelles, Adolpho Pousa, Marcelo Pilling, Floriano Sebastião Nunes de Oliveira (Foca), Fábio André de Pereira, Pedro Machado de Oliveira, Renato dos Reis de Oliveira (Lobão), Edson Menezes Ferreira (Pelé), Sérgio Silva Carvalho.

Breve resumo: No dia 20 de agosto de 2026, o Orla Sem Lixo Transforma realizou, na Prainha, na Ilha do Fundão, uma ação de integração com os calouros de Engenharia de Produção da UFRJ, a partir da iniciativa Trote do Bem, a atividade reuniu estudantes, pesquisadores e pescadores artesanais em uma manhã de ações voltadas ao cuidado com o território e à aproximação dos novos universitários com as questões socioambientais presentes na Baía de Guanabara.


 
 
 

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